A pressa por uma resposta costuma ser a melhor pista de que a pergunta ainda não foi feita.
Sou Ana Luiza Castro, psicóloga formada pela UNESP de Bauru, e trabalho com psicanálise. Minha clínica se dirige a um recorte específico: mulheres com carreira consolidada, alto grau de autonomia e repertório de sobra para explicar o que sentem, mas que seguem presas ao mesmo movimento no amor e no trabalho.
Foram cinco anos de graduação atravessados por projetos de extensão e trabalho voluntário. Foi ali que a escuta deixou de ser exercício de sala de aula: convivi com histórias e realidades muito diferentes da minha, e isso mudou de forma definitiva o modo como escuto até hoje.
A escolha pela psicanálise não veio apenas do estudo. Veio também de ter passado pela experiência do outro lado do divã, e de saber, por dentro, a diferença entre receber uma explicação sobre si e chegar a ela.
São pessoas que chegam sabendo muito sobre si e, justamente por isso, cansadas de conselhos. O que costuma faltar não é lucidez. É um espaço onde a lucidez possa ser posta em questão, sem pressa de concluir.
Meu trabalho não entrega roteiro nem plano de ação. Ele sustenta a investigação do que se repete, no ritmo que cada análise pede, até que aquilo que parecia destino comece a aparecer como escolha.